Menor de Idade Viajando Desacompanhado: Meu 1º voo Sozinho (e internacioal)

9/02/2019

Antes de começar, gostaria de dizer que outro escritor do blog, o William, já contou a experiencia dele de viajar sozinho pela primeira vez, caso queira ler o relato dele clique aqui. O primeiro voo dele foi com 18 e o meu foi com 17, mesmo sendo apenas 1 ano de diferença, ser menor de idade muda muita coisa, e por isso eu resolvi contar como foi o meu primeiro voo  sozinho.


Meu voo era só pela tarde, mas ele "começou" logo de manhã. Acordei e primeira coisa que eu fiz foi o check-list da minha viagem e fui ver a documentação que eu precisava para viajar sozinho. No meu passaporte esta escrito que eu posso viajar desacompanhado, mas está escrito em letras minusculas em português, ai eu entrei em desespero porque na minha cabeça os funcionários do aeroporto dos Estados Unidos e do Canadá não iam entender que eu tinha autorização para viajar sozinho. 

E comecei a pesquisar o que um menor precisa para viajar desacompanhado dos pais e dizia que precisava de uma autorização emitida pelos país reconhecida em cartório. Não ia dar tempo de fazer aquilo, então fui na agencia de viagem pela qual estava fazendo o meu intercambio e lá eles me tranquilizaram. Lá, me disseram que aquelas letrinhas no passaporte são mais para mim do que para os funcionários, ela também me explicou que quando escaneiam o passaporte, tem acesso a todas as informações que tem nele, então estava tudo certo para eu ir. UFA! 

Estava saindo de Brasília, indo para Montreal - Canadá, o trajeto era:

Brasília - São Paulo
São Paulo - Miami
Miami - Montreal

Cheguei no aeroporto 3 horas antes do voo, que é o tempo aconselhado, despachei minha mala, ainda com a minha família, mas eles deixaram eu fazer tudo, só estavam lá me acompanhando. Ao despachar a mala, eu perguntei para o funcionário aonde que eu teria que pegar minha mala de novo, ele disse que apenas no destino final, eu achei estranho por eu estar fazendo 3 voos e eu ainda troco de cia aérea, por isso eu perguntei para ele se ele tinha certeza e ele disse que sim. Mesmo sendo um funcionário novo, ele disse "sim" com tanta certeza que eu confiei nele. 

Mala despachada, cartão de embarque na mão, estava na hora de me despedir da minha família, ninguém chorou nem nada, porque eu ia ficar fora só um mês, foi bem tranquilo. Depois disso, segui para a área de embarque, desse momento em diante tudo dependia de mim.

Me deparei logo de cara com o raio-x. Coloquei minhas coisas na bandeja, ela me fez perguntas do tipo "você está portando algum notebook?" e também "tem algum alimento na sua bagagem?", eu já sabia que ela ia me perguntar isso, e já estava preparado, disse não e não, passei pelo detector de metal, peguei minhas coisas e segui, fiquei feliz, deu tudo certo e segui viagem!

Eu continuei andando até eu perceber que tinha que saber qual era o meu portão, peguei minha passagem, eu tinha visto "grupo 4" e fui andando em direção ao portão 4. No caminho, achei uma daquelas televisões que têm os voos e os portões e lá tava escrito que o meu portão era o 18, exatamente o lado oposto do que eu estava andando. Eu virei para a direção certa e comecei a rir sozinho como se eu já estivesse andando na direção certa e segui caminho.

Cheguei no no portão 18, confirmei o voo e o destino na TV que fica do lado do portão, tudo certo. Sentei, mas eu estava tão animado que não consegui ficar sentado 1 minutos, levantei, fiquei andando pelo aeroporto, falei com as funcionárias que estavam no meu portão, comprei algo para  comer, falei com meu amigo pelo FaceTime até eu perceber que seria melhor que desligar senão minha bateria ia acabar e eu podia me distrair e perder o horário do voo. 




Foi chegando a hora do embarque, me aproximei do portão, percebi que as pessoas são muito afobadas para entrar no avião, mas não adianta ter pressa porque todo mundo vai entrar. Eles dividem o embarque em grupos justamente para entrar as pessoas de pouco em pouco, e o meu grupo de embarque era o grupo 4, o negócio que eu tinha achado que era o portão de embarque. Meu assento era o 8A, janela! 

O avião decolou, fui colocar meu celular e não tinha tomada no voo! Ainda bem que eu tinha um livro para ler, deixei meu celular guardado para eu não gastar mais bateria. Eu nunca realmente li um livro no avião, e não lembrei que tinha a luz em cima para acender, mas a aeromoça acendeu para mim, li o voo todo, passou bem rápido.

O avião pousou, todo mundo saiu, eu já tinha o cartão de embarque no meu celular, porque eu tinha eito check-in pela internet, então era uma fila a menos para pegar. Dei uma passadinha no banheiro e quando saí, não tinha ideia de qual direção eu devia ir, então eu só segui o fluxo. No caminho eu vi algumas pessoas que estavam no meu voo, o que me tranquilizou, eu estava indo na direção certa. 

Consegui sair do terminal nacional e ir para o internacional sem problema, o raio-x foi tranquilo também. Só foi engraçado ver muita gente desesperada por ter que beber toda a garrafa de água, porque não pode embarcar com nenhum tipo de líquido.

Depois do raio-x segui para a polícia federal, lá estava dividido em 3 filas. Maiores de idade, menores de idade e estrangeiros. Sabia qual era a minha, esperei um pouco na fila. Eu cai num guichê com uma funcionária bem grossa. Ela perguntou se eu era menor e estava sozinho, respondi que sim, e ela perguntou em seguida se tinha alguém me acompanhando. Eu respondi com segurança que não, mas ela me deixou no momento meio inseguro de ter alguma coisa será com minha documentação. Não tinha, ela me liberou e eu segui.

Fui andando sozinho, não tinha placa de sinalização, mas o caminho era único, então não tinha como eu errar. Achei a televisão que mostra o portão, o meu era o 321, eu achei estranho, porque é um número muito grande, olhei de novo para confirmar e era aquele mesmo, era longe, mas eu cheguei bem rápido.

Estava desesperado atrás de uma tomada. Meu celular estava com 12% de bateria. Do lado do portão tinham vários totens com o plug para colocar o carregador, mas eles não estavam funcionando., apenas um estava, e ele estava lotado. Foi aí que eu vi, uma tomada pertinho do chão, separada de todas. Fui lá, sentei no chão e fiquei carregando meu celular, fiquei lá um tempinho, meu celular carregou até 30%, até eu decidir levantar a cabeça e olhar para a televisão, estava escrito "embarque imediato", eu levei um susto, levantei na hora e fui embarcar.

Na fila, uma funcionária estava checando as passagens de todo mundo. Quando ela viu que eu era menor de idade e desacompanhado, ela começou a me fazer perguntas. “Você ficou com a sua mala de bordo o tempo todo?”, “ninguém te ofereceu nenhum produto ou algo para você tomar” “alguém te deu alguma etiqueta de mala”. Não, não e não. Foi um cuidado extra por parte da funcionária, gostei.



Esse voo eu não tinha escolhido meu assento, porque tinha que pagar, mas eu tinha olhado na passagem e estava escrito 48A, janela de novo! Entrei no avião, fui andando, andando e a fileira 48 não chegava, até eu chegar no final do avião, sim, eu estava na ultima fileira.


Por conta do meu atraso não intencional, o avião já estava um pouco cheio e eu não sabia aonde colocar a minha mala de bordo, pois os compartimentos já estavam cheios. Eu fiquei em pé esperando aparecer alguma aeromoça para me ajudar. Um latino americano viu que eu tava com dificuldade para achar um lugar e disse alguma coisa em espanhol para eu mexer tal mala que ia caber a minha. Eu consegui entender tudo o que ele disse, só não lembro o que era. Fiz o que ele disse, problema resolvido. Disse gracias a ele.

O avião voou, fiquei vendo filmes, porque dessa vez o voo tinha tela multi mídia e também tinha tomada!


 


Durante o filme a aeromoça passou com o jantar. Bife ou pasta. Não sei porque eu escolhi pasta, mas foi. Era uma massa recheada com queijo! Não tava bom, mas na fome a gente come qualquer coisa. De sobremesa tinha um pão de mel, que tava mais com cara de bombom. Eu dei uma mordida para experimentar e para tirar o gosto do macarrão da boca também. Não comi o doce todo porque estava com medo de passar mal.








Fui dormir lá para 1:30, o avião era bem desconfortável para dormir mas fiz o máximo para ficar confortável com a coberta e o travesseirinho que eles dão. Eu tava com medo de dormir e não acordar até o voo pousar, então eu coloquei alarme 1 horas antes do horário previsto pro pouso e coloquei fone de ouvido. Dormi.

Acordei bem antes do despertador, e acordei na hora certa, porque eu olhei pra frente e estavam servindo o café da manhã. De café tinha: um omelete ou sanduíche, um iogurte grego e uma bebida. Peguei o sanduíche.


Sai do avião, estava um pouco enjoado, por causa do iogurte, mas resolvi ir ao banheiro apenas depois da imigração. Então fui para a imigração. Lá tinha uma fila única para as pessoas passarem pelo totem. Aí você podia ser aceito ou recusado. Eu fui recusado e tive que ir para o guichê fazer com um funcionário. Essa segunda parte foi bem rápida. Ele perguntou qual era a intenção da minha viagem. Eu disse que na verdade eu só estava indo pro Canadá. Aí ele não fez mais nenhuma pergunta, apenas pegou minhas digitais e fui embora. Sucesso.

Fui no banheiro e agora a missão era outra. Fazer check in na AirCanada. Até agora, todo os aeroportos estavam bem sinalizado, mas quando cheguei no MIA mudou. Tinha placas apenas para quem iria sair do aeroporto. E por conta disso eu fiquei perdido. Olhei no mapa, tentei me localizar, e fui andando. Quando percebi que a direção que eu tava indo não me levaria a lugar nenhum, voltei. Procurei uma funcionário para pedir ajuda, mas não achei. No caminho da volta, eu achei a placa que estava procurando e consegui encontrar o que eu queria.

Eu li a placa da AirCanada e entrei na fila, quando chegou minha vez, perguntei (em inglês) ao funcionário se era ali que fazia o check in, ele me respondeu em espanhol (?), eu entendi o espanhol dele dizendo que não era ali, era no final do corredor. Fui para lá, mas não tinha nenhum funcionário. Tinha umas 5 pessoas lá esperando alguém parecer. Isso era 7:10. Olhei para trás e tinha os totens da AirCanada, fui lá e consegui fazer meu check-in sozinho.



Pronto, agora finalmente posso ir. Fui naquela fila que tinha entrado na primeira vez, e aconteceu o seguinte: Mostrei meu check in pro moço para ele deixar eu passar, ele já ia deixar eu passar, quando ele viu que na minha bagagem não tinha nenhum adesivo, e me disse, em inglês dessa vez (???) que eu tinha que ir lá pegar um adesivo para colocar na minha mala. Quando eu virei para ir pegar o adesivo, ele virou e disse para 3 funcionários do aeroporto que estavam lá do lado “tá vendo, o que eu tenho que aguentar todos os dias” e eles começaram a rir.

Ignorei eles e continuei andando. Fui pro guichê, eu sabia que não tinha ninguém. Mas pensei que ia chegar por volta das 8:00, então fui lá e fiquei esperando. Uma pequena fila começou a formar e eu tava em segundo nela. A fome foi apertando e ninguém chegava no guichê. Deu 8:30 e nada. Os funcionários foram chegar apenas 9 da manhã. Fiquei esperando lá por 1:30 para um simples adesivo que até hoje eu não sei se é obrigatório ou se o cara estava apenas enchendo o meu saco.

minha mala com o adesivo

Fui para lá de novo, deve vez com tudo certo, passei, fui para o raio-x, tudo bem tranquilo. Eu estava morrendo de fome, mas decidi comer apenas perto do meu portão para ter segurança de que eu não ia perder o voo. Mesmo a minha conexão sendo de 6 horas em Miami, já tinha passado mais de 2 só de imigração e a espera pelo adesivo então fui andando, vi qual era o meu portão na tela e fui para lá. Meu portão era literalmente do lado da Starbucks, mas eu dei uma olhada e não tinha nada que me chamou muito a atenção então fui numa loja pertinho também, chamada Earl of Sandwich, parece ser bem famosa por lá. Lá pedi um wrap de frango, avocando e bacon. Tava uma delicia, pedi uma salada de fruta pra acompanhar também.



Depois de comer ainda tinha tempo de sobra. Fui no banheiro, enchi minha garrafa, sentei e carreguei meu celular. Olhei a tela do meu portão e estava escrito Vancouver. Fiquei confuso e fui na tv e vi que meu portão mudou. Essas tvs são tão boas.


Fiquei perto do meu novo portão, uns 15 min antes do embarque começar. A moça chamou algumas pessoas pela microfone (e eu fui uma delas) para validar o passaporte. Deu tudo certo, foi tranquilo. 



Depois entrei no voo, estava na janela. Do meu lado tinha uma mãe e do seu lado seu filho. Ele ficou jogando o voo inteiro e ela ficou lendo. Quando ela brigava com ele por algum motivo, eu adorava, porque a pronúncia do inglês deles é linda. Eu fiquei tentando ouvir tudo o que eles falavam. Não tinha tomada no voo, então desliguei o celular para não acabar a bateria. Fiquei lendo e cochilando, lendo e cochilando. Até pousar.

O avião pousou e estava na hora da imigração. Foi igual nos Estados Unidos, totem e depois fui na mulher. Ela começou a falar em francês e eu não tava entendendo, aí eu fui lá e disse “pardon” aí ela foi e repetiu em francês. Eu fui lá e falei alguma coisa em inglês para ela me fazer as perguntas em inglês. Ela não foi muito com a minha cara não, mas deixou eu passar e tudo certo. Desci e fui pegar minha mala.


Eu achei a esteira bem rápido e fiquei lá esperando. Esperei mais de 30 min e nada. Até que um momento a esteira fechou. Estava sem mala e eu tinha que dar um jeito na situação. Fui atrás de um funcionário e ele pediu para eu ir no guichê de malas perdidas da empresa. Cheguei lá e tinha uma fila de 5 pessoas. Demorou mais meia hora para eu ser atendido e o funcionário foi super gente boa. Preencheu uns papéis para mim, e disse que ia chegar amanhã de tarde. Fui embora atrás do meu transfer.


Na fila esperando para ser atendido


Quando encontrei meu transfer, estava muito feliz. Depois dessa minha jornada maluca de 24 horas entre avião e aeroporto, eu finalmente tinha chegado ao meu destino, mas estava também com um sentimento de que aventura estava apenas começando!

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